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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Montado



Montado

Neste montado risonho
Onde por vezes vagueio,
Entre os meandros do sonho
E os estevais que permeio,

Oiço os sons da primavera,
Vejo o equilíbrio perfeito,
Sinto os aromas da terra
E agradeço do meu peito,

Respiro o cheiro das flores,
Bebo a Essência do vento,
Embriago-me com os odores
Nem dou por passar o tempo,

Canta a rola e a cotovia,
Canta o melro e canta a rã,
Tudo em perfeita harmonia
Sem pensar no amanhã,

E serpenteiam os estevais,
Dançando ao sabor do vento,
Envolvem-se flores e animais
E dança tudo ao mesmo tempo,

Dançam o cante da terra,
Dançam o sol que é seu sustento,
Não querem saber de guerra
Não pensam no sofrimento,

Tudo é paz tudo é amor,
Tudo é ordem natural,
Tudo é luz e tudo é cor
Tudo é perfeito e normal,

E aqui, nestes matos densos,
Em caminhadas sem fim,
Vou encontrando dispersos
Mil bocadinhos de mim,

Neste montado risonho,
Onde por vezes vagueio,
Entre os meandros do sonho
E os estevais que permeio.

José Dimas
2011

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