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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

2012, tudo e nada



2012, tudo e nada

O sabor das cores que me traz o vento,
da Lua e do sol ao meu pensamento,
das papoilas maduras pingando rubores,
vermelhas sangrando, salpicando Amores,
e do canto das aves de braço no ar,
pedindo ao poeta para as desenhar,
pedindo um carinho pintado a pastel,
com letras doiradas a saber a mel,
sabe-me ao gosto escrito no papel,
do Sol e da Lua dos favos de mel,
cheira-me ao cheiro da trovoada,
do vapor da Terra da erva molhada,
o sabor das cores não me consola nada,
nem o rir das estrelas pela madrugada,
é um riso apagado não me sabe a nada,
já não oiço as estrelas nem consigo lê-las,
já não sei pintá-las não me ocorre nada,
não oiço as papoilas pela madrugada,
pintadas de fogo de cor encarnada,
no escuro da noite da noite estrelada,
já não se ouve a ave que seria pintada,
já não se ouvem grilos, nem a trovoada,
nem os sons da terra na erva orvalhada,
no alto da serra no escuro da noite,
até a escuridão está toda apagada,
não se ouve o escuro não se ouve nada,
só se ouve o silêncio da alvorada,
o mesmo silêncio da semente Sagrada,
em que na Origem não éramos nada,
e éramos tudo nessa cavalgada…
e o cheiro é o mesmo não cheira a nada,
e o nada  é Tudo e o Tudo é nada,
já consigo escutar a noite calada,
o silêncio dos grilos na erva orvalhada,
o romper do dia pela madrugada,
e as papoilas pingando na seara espigada,
já oiço tudo e não oiço nada, já oiço tudo,
no silêncio do nada, oiço  o despertar,
cheiro a alvorada, duma nova era sem cor agregada,
fruto do Amor da semente Sagrada,
e cheirando a tudo sem cheirar a nada,
uma consciência muito ampliada,
numa primavera, numa madrugada,
refazendo tudo sem desfazer nada,
e reabrindo caminho nesta caminhada…
para o reencontro na espiga sagrada,
num quarto quentinho da semente dourada,
onde o tudo é tudo e o nada é nada
e o nada é tudo
e o tudo é nada…

José Dimas
2011

 

2 comentários:

  1. Pode ser o fim de tudo ou início de uma nova era.
    Enfim, que venha o que vier!!
    Bjs
    Nya MEB

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  2. Olá,

    Fresca manhä da vida, recomeço

    Doutros orvalhos onde o sol se molha.

    Nova cançäo de amor e novo preço

    Do ridente triunfo que nos olha.

    Larga e límpida luz donde se vê

    Tudo o que näo dormiu e germinou;

    Tudo o que até de noite luta e crê

    Na força eterna que o semeou.

    Um aceno de paz em cada flor;

    Um convite de guerra em cada espinho;

    E os louros do perfeito vencedor

    À espera de quem passa no caminho.


    Citando Miguel Torga(um dos meus poetas de eleição)
    a ti, vencedor!
    Bjs

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