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sábado, 29 de janeiro de 2011

Saluquia

António Galvão "Saluquia à espera"


Saluquia



Saluquia, Princesa formosa,
das terras de Al-Manijah,
cheirava a pétalas de rosa,
e o seu Deus era o Allah.

Esperava o apaixonado,
na torre do seu castelo,
era Brafma, o afortunado,
um Príncipe muito belo,

que vinha de terras distantes,
pra com ela se casar,
não contando que nos montes,
os Cristãos ia encontrar.

Grande luta se travou,
entre os Cristãos e a Mourama,
e ali Brafma se prostrou
ali se apagou a chama.

Ali se apagou a chama,  
que no seu peito trazia,
viera cair na trama,
e no barro; frio; jazia.

Com roupas mouras trajadas,
as tropas cristãs entraram,
pelas portas escancaradas,
do castelo que atacaram.

Saluquia na sua torre,
tarde demais descobrira,
que não era o seu Amor,
que era tudo uma mentira.

Não vendo melhor solução,
com o castelo conquistado,
fechou as chaves na mão,
e foi ter com seu Amado.

Saltou de janela aberta,
Linda, pura, santa, e casta,
nos braços da morte certa,
que a vida lhe foi madrasta.

Ainda em noites de luar,
sempre que é Lua Cheia,
ouve-se Saluquia a chorar,
lá no cimo da ameia.

Chora pelo seu Amado,
que ainda espera ver chegar,
num lindo cavalo montado,
pra com ela se casar.

José Dimas
2011

1 comentário:

  1. Adoro essa lenda, lembro-me o dia em que ouvi essa história...fiquei emocionada.
    Boa sorte para Salúquia!!!
    O Poema está belíssimo.Parabéns, querido Poeta!
    Beijos
    Nya

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